sexta-feira, 14 de maio de 2010

2º Dia de observação

Quarta-feira 28 de abril de 2010 segundo dia de observação cheguei à sala acompanhada com o professor, ocorreram as mesmas piadinhas antes da aula começar até que o professor conseguiu dominar a turma, não gritando mas falando baixinho para que assim os alunos se calassem para poder ouvi-lo. Esse método nem sempre funciona, pois dependerá muito da postura do professor e dos alunos, nesse caso funcionou porque o professo apesar ser extrovertido, mantém uma postura de seriedade enquanto aplica o conteúdo, separando momentos de brincar e momentos de falar sério.


Nesse dia houve a correção da atividade realizada na última aula e pude observar durante a correção que poucos alunos responderam o exercício em casa, passando a responder na sala de aula com base na resposta do professor, ao invés de desenvolverem suas próprias respostas, de forma que se fez uma leitura em coral, repetindo exatamente o que o professor ditou. Isso prova que não há uma preocupação em desenvolver o raciocínio do aluno, de debater o que foi estudado, de que forma, como, porque, quais os pressupostos daquele acontecimento, de interpretar o que está escrito. É devido a esse déficit que os estudantes ingressam na faculdade com sérios problemas de leitura, sem saber interpretar o que está escrito.

Após a correção da atividade, o professor organiza a sala para a realização da 3ª avaliação da primeira unidade. Confesso que nunca tinha visto esse modelo de avaliação, onde os alunos respondem quatro questões objetivas, em meia folha destacada de seu próprio caderno. O professor ditava a questão e os alunos apenas marcavam as alternativas A, B, ou C. Logo em seguida, a avaliação foi recolhida pelos alunos que estavam sentados na primeira cadeira de cada fileira, sendo entregue ao professor que posteriormente divulgou o resultado. Este foi o que posso chamar de “teste relâmpago”, aplicado em tempo recorde, pois assim facilita muito a vida do professor, que não necessitou levar as provas para serem corrigidas em casa. Após o alvorosso e comentários sobre a avaliação, o professor passou mais uma atividade para ser respondida em casa e corrigida na próxima aula, pois o professor utiliza-se do método de só explicar o conteúdo durante a correção do exercício.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Tudo se resolve com uma boa conversa...

Diálogos entre professor ( destaque em vermelho) de rede estadual e alunos ( verde, os meninos e lilás, as meninas) da sétima série, ensino fundamental.






Na aplicação do teste:

- Eu to ficando velho e não besta.

- Tá véiu mermo!

- Velho, é? Não foi isso que você me disse ontem à noite na hora daquela agonia.



Aplicação de exercício:

- Sua feia!

- Você não tem espelho em casa, não?

- Tenho. Quando você vai na minha casa eu tenho até que esconder pra não quebrar.
- Fecha a cara que eu nunca fui na sua casa! Pior é tua cara que se eu ver eu não durmo de noite.

- Não dorme, não? Isso foi um convite?



Aplicação de exercício:

- Que garrancho é esse, professor?  ( Referindo-se às letras do exercício proposto pelo professor na sala de aula.)

- É garrancho, é? Você já sabe, né?

- Tô falando da letra, professor!



Explicação de um fato histórico:

- O Brasil não se desenvolveu por causa da preguiça.
- No Brasil só tem vagabundo mesmo.

- Não to falando do seu pai.  (em seguida segura o aluno pelo pescoço com as duas mãos e o sacoleja)

- Por que você me enforcou?  (Logo após ser agredido pelo professor.)

- Não te enforquei, eu só tava tentando matar uma barata que tava na minha frente.



Na correção do exercício:

- O professor é que nem um trator. (Gritando pra turma.)

- Por quê?

- Tem a roda grande.

- Tem o pino grande também, você quer ver?

- Eu não, esse pino véi muxu.



Ainda na correção do exercício, após uma série de brincadeiras de muito mau gosto, ouvimos:

- Vixi, to boiando na aula.

- Você nem sobe e nem desce, merda só fica boiando mesmo.



Antecedendo a avaliação:

- Sente, vá! Dá pra você colocar seu patrimônio no patrimônio da escola?

- Vou é colocar seu patrimônio no meu.



No fim da aula:

- Aqui na sala só tem jegue.

- Como você sabe? Já namorou com algum, foi?






E pra finalizar a semana, nos corredores, ouvimos as seguintes palavras:

- Ó pra cabeça do professor... ( Passando a mão na cabeça do professor.)

- Tá gostando, né? Vou te dar outra cabeça pra você alisar.



Dentre outras “pérolas” ditas dentro e fora da sala de aula, mas ainda no ambiente escolar, como:

“Se eu olho pra tua cara, não vejo uma rosa, vejo um cravo num difunto!”


“Eu quero é que você morra e que a notícia corra!”


“Preto só tem juízo até meio-dia, e você nem até isso.”


“Além de nascer preto ainda é uma bicha louca!”


“Sua cara da fome!”








Difícil acreditar, não?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ao menos um bom exemplo : D

Bom, pelo visto sou a única até agora que vivenciou uma boa experiência. Já estou familiarizada com o colégio, pois estudei lá três anos. É um lugar que possui uma boa estrutura física, dificilmente faltam carteiras (o que é um bom sinal, a se tratar de escolas públicas), no corpo docente, os professores de história que me ensinaram sempre deixaram a desejar com aulas monótonas e chatas, tanto que ao falar com a professora (com quem acompanho as aulas) que fui aluna da casa e desses professores ela me disse: “E você ainda quis fazer história? Deve gostar muito mesmo".
Estou acompanhando uma turma de 3° ano e no primeiro dia os alunos estavam apresentando seminários que, em geral, foram bons. O que me surpreendeu foi a professora, principalmente devido as minhas experiências, que ao término das apresentações analisava aluno por aluno (o que faltou falar, a entonação da voz, o cartaz, os destaques do grupo), fazia a distribuição de notas de acordo com o desempenho de cada um, além de dar dicas para uma melhor apresentação.
Portanto, o que pude concluir neste primeiro dia foi que ainda existem professores bons na rede pública e que ainda podemos conseguir o respeito e a organização para que possamos ministrar aulas com eficiência contribuindo para uma melhor educação.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina

MEMÓRIAS EDUCACIONAIS DE UM BENEVIDES (CAPITULO 1)

    Pessoal este foi o meu primeiro dia de estágio...expectativa, todo mundo no horário (menos eu; tive meus motivos) cheguei na porta da sala um aluno já sendo expulso (pensei logo...essa professora é das minhas) me apresentei, e ela (a PRÓ) veio falar comigo. Muito atenta, dando sua aula, até que (pã...pã...pã...pã) um aluno começou a perturbar, disse - Fessora eu num troçe meu livro naum (tenho absoluta certeza que ele fez de propósito). A professora controlando seu ímpeto pediu que o mesmo ao menos prestasse atenção no assunto (o que pra ele era quase impossível), daí toda vez que o assunto era retomado (História Medieval...acho que ganhou este nome por culpa do medo...) vinha essa criatura atrapalhar o processo... a coitada estava tentando escrever os tópicos da aula (de novo a mão do aluno coçou...). O aluno começou a brincar de bater nos coleguinhas, que sem pensar duas vezes devolverão os tapas.
   Agora com a paciência esgotada a professora (isso mesmo pró acaba com ele!) disse - Saia de minha sala agora. o aluno (com a cara mais sinica do mundo) saiu e foi mentir por aí...(momentos depois, com a maior carinha de anjo) chega o aluno com a coordenadora e outro professor (só faltou falar - Pró estou armado com uma coordenadora e não tenho medo de usá-la); antes que a coordenação pudesse garantir os direitos do pobre aluno (ohhhh tadinho!) a professora explicou (defendá-se pró) - Ele simplesmente não trouxe o livro e quer tomar conta da sala... Não vou permitir que ele fique aqui enquanto um responsável dele não vir conversar comigo, e digo mais ele só assiste aula quando a mãe dele vir aqui (eu pensei... se você for órfão dê adeus a colégio!). 
   (A beira de seu precipício) o aluno ficou sem palavras, o professor (que entrou de gaiato na conversa) diz - Rapaz você disse que saiu da sala porque não tinha caneta, e eu saí correndo para te emprestar a minha. (ele não foi gaiato... está vendo, você pensando mal do bom professor, ele em sua inocência foi ajudar o aluno!). Este aluno não contava com o 3x1 que se formou. quando a emoção da professora já estava para vir a tona (o pior aconteceu) tocou a sirene e a aula acabou....(que chato, estava tão emocionante!).
   (Calma foi só pra contrariar... a aula não acabou) após tudo resolvido (Ufa!) a aula seguiu, os tópicos continuaram a serem apresentados e os alunos todos em silencio (quem via achava que eram "cururus"...os olhos dos alunos, só o pânico de ser o próximo da lista!), a paz reinou na sala e (VITORIOSA!) a professora conseguiu ministrar o assunto (que, por sinal, gostei muito da aula dela), este, bem trabalhado, não só com o livro, a professora prepara seus apontamentos e tópicos em um caderno (sinal que prepara aula em casa) e vem com as explicações e solucionando duvidas dos alunos.

(pessoal a aula dela é boa só que tem uns 7 alunos que deveriam estar em casa...um vai atentando o outro e vira uma bola de neve, a aula começa calma, a professora tem controle de si própria e da sala, massssssssss....)  


Blog interessante

Galera,
O professor Iron de Psicologia entrou no nosso blog e gostou muito. Pediu pra gente dar uma olhada no dele.    http://www.memoriadetrabalho.blogspot.com/   Disse que tem uns vídeos legais que podem nos interessar. Abraço, José Augusto.

domingo, 9 de maio de 2010

07-05-10... Um dia emocionante!!


  Emoção e comoção palavras que definem bem o que eu senti nessa sexta feira.
  Tive a minha primeira oportunidade a frente de uma sala de aula, mas não a ministrei, apenas apliquei uma prova, atitude pequena que para mim já foi o suficiente para despertar sentimentos tão nobres.
  Foi estranho, mas percebi que aquelas crianças precisavam de mim, necessitavam da minha ajuda para compreender não só a minha matéria, mas a vida, visto que o papel da educação (da pedagogia) é prepara-las não só academicamente, mas moralmente. Pude perceber nos seus olhos quem são as verdadeiras vitimas do descaso educacional.
  Me senti impotente, insegura diante delas, as suas perguntas eram complicadas de responder, como vou dizer para um aluno o que fazer numa questão que tem como princípio caracterizar algo, se eles não sabem o que é ler e interpretar? Se isso não faz parte do cotidiano deles? Eles não são educados para pensar, apenas para reproduzir aquilo que já está no livro, o que já lhe dão pronto!
  Ao mesmo tempo que senti essa insegurança, pude perceber a questão da hierarquia da relação professor-aluno, assim soube que tinha domínio sobre eles, e o que eu lhes dissesse seria absorvido, claro que nem por todos, mas sempre há aqueles que lhe dão vontade de seguir em frente, no meu caso, me deram vontade de melhorar para que assim eu possa ajuda-los a compreender questões, que ao meu ver são fáceis, mas que para eles são muito difíceis.
  Caramba, me senti no domínio (digamos assim), quando chamavam: "pró, faça o favor!", ou então, "professora, tá muito difícil, dá uma dica, só uma para ajudar a gente, por favor!"... Sei que esse sentimento é perigoso, mas tenho tomado, dia após dia, ciência do meu papel de educadora, porque educadora é o que serei, e não apenas mera transmissora de informações.
  Talvez seja utopia minha, podem dizer: "Quando você cair de fato na realidade irá mudar de opinião!"; ou então "Ah, isso é porque ela ainda tá na faculdade, e para quem olha de fora tudo é bonitinho, quero ver quando ela tiver que encarar a realidade de frente, o que ela vai fazer, se vai continuar com essas ilusões!".
  Sei que a coisa não é fácil, que não ganhamos bem. Mas já  nos formamos licenciados sabendo de tudo isso, somos avisados todos os dias que o trabalho de docente é complicado, é desmerecido, sabemos de tudo isso e as crianças não tem culpa de nada, não podemos descontar nelas, fazê-las pagar por algo que não lhes pertence.
  O que temos que fazer é reclamar, lutar pelos nossos direitos, por melhores condições, melhores salários e tudo mais. Mas, o que não podemos nunca é deixar de cumprir nosso papel, ou fazê-lo mediocrimente. Se eu não o faço, ou se o que eu faço não condiz com o que é meu dever de fato, como posso reclamar? Se eu aceitar as imposições do "sistema", se me "moldar" à sua vontade, não tenho direito algum de reclamar, visto que se faço o que eles mandam, devo aceitar o que eles pagam.
 Como reclamar por melhores salários se eu não dou aula, ou se a faço de forma insignificante?
 Como diz meu caro amigo Alisson Nogueira, quando falo em mudar o mundo, me refiro ao meu mundo, às pessoas que estão a minha volta. Se eu conseguir que um, apenas um, me dê valor, o meu trabalho já valeu a pena, porque esse um será trasmissor para mais e mais pessoas, é um ciclo!!

sábado, 8 de maio de 2010

Vídeo Sobre Indisciplina Escolar

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Isso é comportamento de educador?

Quando entrei naquele colégio a fim de pedir autorização à diretora e ao professor para fazer estágio de observação na sala de aula, fiquei chocada com a estrutura do colégio. Trata-se de um colégio público. Internamente, as salas são isoladas por grades e portões que nos dão a sensação de que é um presídio. Mas, isso foi apenas um choque inicial que atingiu novas proporções no dia 28/04/2010 quando, finalmente, cheguei na sala de aula para assistir a aula do professor, da disciplina de História, que eu iria observar, numa turma de 7ª série. Entrei na sala de aula junto com o professor, e imediatamente à chegada deste houve uma tremenda algazarra na sala. Com certa dificuldade, o professor conseguiu controlar os alunos. Faltavam mesas e alguns alunos estavam sentados desconfortavelmente em cadeiras com os livros sobre o colo.


Mas o que mais me chamou a atenção foi a o comportamento do professor perante os alunos. Por ser uma turma de 7ª série, tratam-se alunos com uma faixa etária média de 12 anos de idade. O professor começou a dizer coisas que ao mesmo tempo em que provocava risos por parte dos alunos, me causava horror. A linguagem vulgar utilizada pelo professor é típico de ambiente de entretenimento como bares e clubes, dessa forma o docente perde sua credibilidade, respeito e a autoridade com os alunos dificultando assim as relações interpessoais e comprometendo o aprendizado. Enquanto dava aulas, chamava os alunos de, entre outros nomes, “preto burro”, “feia” e expressões como: "Além de preto é viado ",etc. Embora a fala do professor, ao falar tais barbaridades assumisse um tom descontraído de modo a provocar risos em toda a sala, tal comportamento e tal linguagem, denotam racismo, preconceito e homofobia. Atitudes inaceitáveis para um educador, que possui a difícil missão de formar cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres na sociedade, uma vez que o sentido da educação é reproduzir comportamentos, valores e atitudes. Quando o professor utiliza esses termos pejorativos com tanta naturalidade os alunos se sentirão no direito de tratar as demais pessoas da mesma forma inclusive o próprio professor.







"Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos." (Pitágoras)

Será que a educação vale o nosso imposto?

No meu primeiro dia de estágio de observação cheguei na sala a ser observada com um olhar sério e uma postura  igual para que os alunos de 5ª série (6º ANO), não tomassem uma certa ousadia típica de crianças inquietas. Eu entrei neste ambiente na companhia da professora e do meu colega também estagiário. Nossa chegada provocou conversas paralelas entre aquelas crianças o que aumentou a inquietação deles. Podíamos ouvir baixas tonalidades de vozes, dizendo: "Quem são eles?", "Quem é aquele cara grande?" e "Será que irão substituir a professora?".
Eu e o colega estagiário sentamos no fundo da sala e deixamos a docente nos apresentar. Ela esperou aquele alvoroço acabar para que viesse a nos apresentar para a turma como estagiários de observação, tal algazarra durou 10 minutos de sua aula. Feita a apresentação, o colega e eu nos mantivemos na mesma posição de observadores, e algumas atitudes dos alunos que mais pareciam "marginais" me chamou a atenção. Podia ouvir troca de palavrões, até mesmo pequenas brigas (murros e tapas), com o deslocamento constante dos alunos pela sala. Mas o mais interessante é que a regente continuava ministrando a sua aula, que por sinal era uma revisão para a avaliação do dia seguinte, sem dar importância para aquela baderna, só raras vezes falando: "GENTE!"; como se esse vocativo fosse resolver alguma coisa.
Analisei no olhar da professora nesta situação, uma frustração, e ao mesmo tempo uma face pedindo mais ou menos: "TOCA LOGO SIRENE, PARA QUE EU LIBERE ESSES DEMÔNIOS". Seria equívoco meu não notar que ela veio com uma aula programada, mas o que adianta programar algo se não há a certeza de concretizar nem que seja 50% daquilo programado. Esta professora me mostrou que ela já está conformada com o desinteresse, e a irresponsabilidade de seus alunos.
Então eu me vejo nas seguintes questões: Será que eu estou empregando bem os meus impostos ao quitá-los todos os anos, quando o estado me cobra? Será que o interesse deve vir só da parte dos alunos? E o professor qual é o seu papel no ensino público? Unicamente de receptor do dinheiro do estado?
E minhas dúvidas são: Onde será que o meu país irá parar com essa falta de compromisso? Será que eu me tornarei um professor igual a essa professora?



Leiam outros assuntos e os meus ensaios em: www.vsos.blogspot.com

Educação do faz de contas

Segunda feira, 26 de abril de 2010, meu primeiro dia de estágio observatório em uma escola pública estadual. Cheguei à escola por volta das 07h30minhs da manhã e tive que aguardar o professor que chegou atrasado, então nos dirigimos para a sala, notei que enquanto caminhávamos o professor fazia algumas piadinhas com alguns alunos, que estavam no pátio mesmo em horário de aula, do tipo "nossa como você é feia" e "oi cara da fome", mas os alunos revidavam dizendo " professor seu viado". A princípio fiquei abismada com a forma com que o professor e os alunos se relacionavam, digo isto porque fui e sou aluna, e em toda minha vida nunca tive esse tipo de relação tão desrespeitosa com professor. Mas o espanto maior foi ao chegar á sala, os alunos estavam em plena algazarra e nem se intimidaram com a presença do professor, muito pelo contrário, o próprio professor entrou na brincadeira correndo atrás de uns e de outros, dando tapinha na cabeça de um, repetindo o seu bordão "o mulher feia" para outro. Com isso lá se foram pelo menos dez minutos de aula, detalhe, na segunda só haveria uma aula de história, então se formos parar para analisar, o professor chegou atrasado e ainda perdeu tempo com brincadeirinhas impróprias.


Após a algazarra o professor expôs uma atividade escrita em um cartaz, o qual é exibido em todas as turmas da sétima série da escola, evitando assim que o exercício seja copiado no quadro várias vezes. Pois o mesmo ainda afirmou que estava ficando velho e não burro, para ter quer copiar o exercício mais de uma vez.

As questões são formuladas pelo professor e corrigidas com base no livro didático, as perguntas são tão fáceis que os alunos encontram as respostas prontas no livro. É uma pena, porque analisei o livro didático e pude perceber que as questões são bastante interessantes, formuladas de forma com que os alunos debatam e discorram sobre o assunto.

E outro fator que me chamou muito a atenção foi a estrutura física da sala de aula, os alunos não possuem cadeiras e carteiras suficientes para a turma toda, alguns têm que escrever com o caderno em seu colo, por não possuir carteira. De dois ventiladores só funcionam um, que é motivo de disputa entre os alunos, pois a sala é abafada e provoca muito desconforto.

É um absurdo que a educação brasileira ainda esteja tão precária, questiona-se da falta de interesse dos alunos, da má qualificação dos professos, mas não há um espaço adequado para a realização de uma aula. Como o aluno pode desenvolver um maior interesse pela escola se ao chegar nela encontrará um lugar inóspito para assistir aula, como o professor pode se empenhar em buscar novas qualificações se ao chegar à sala ele encontrará o desinteresse e a desmotivação do aluno.

Tudo isso gera certo comodismo, o professor não se preocupa em fazer o aluno aprender e o aluno não se interessa em estudar, resultado é esse modelo educacional brasileiro do faz de contas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sala de Aulas ou exclusão?

Em 03-05-10, foi a minha segunda maratona de observação escolar. Nesse dia a professora trabalhou com algumas questões escritas, do livro didático e estava avaliando quais foram os alunos, que conseguiram responder de maneira eficiente a atividade passada em classe.
Foram duas aulas com tentativas constantes, por parte da professora, de envolver os estudantes em torno da leitura do texto, que servia como base para resolução das questões. Não obtendo sucesso em sua empreitada, era claro a insatisfação daquela profissional acompanhada da intolerância dela, diante dos alunos. Muitos estudantes não tinha o hábito de leitura; tendo dificuldades em interpretar os textos. Recorrendo frequentemente a minha ajuda, para conseguir entender até mesmo as questões abordadas. Nessas condições, houve uma situação um tanto bizarra. E em minha opinião muito depreciativa para manter um bom andamento da aula proposta na classe. Foi promovido uma espécie de concentração da aula, por parte da professora na figura de cinco alunos. Sendo que a turma era composta de quarenta estudantes.
Tal comportamento profissional, nos levam a compreender a sala de aula, não mais como um mecanismo de inclusão social. E sim como uma forma quase que silenciosa de exclusão das pessoas. Como fosse pouco essa atitude, de marginalização dos estudantes, a professora simplesmente informou a seus alunos. Que iria aplicar uma prova na mesma semana, arfimando que os alunos ausentes por qual quer motivo de força maior estaria sumariamente reprovados.
Como entender tais atitudes profissionais? qual o significado de tanta intolerância no ato de lecionar? por que as salas de aulas estão sendo utilizadas como forma de exclusão e não mas de integração social? Esses são questionamentos, que os educadores devem entender numa perspectiva histórica. Para quem sabe, resolver parte dessas mazelas, existentes no presente do cotidiano escolar dos colégios da rede pública de ensino.

Relatar experiências

Pessoal,
Esse é o momento de começarmos a relatar as experiências do estágio. Vamos lá. Estou esperando. Abraços, José Augusto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Realidade Educacional

O dia 26-04-10, foi o momento em que comecei a exercer, o estágio de observação em um determinado colégio da cidade de Feira de Santana (BA). De início era notável a dura realidade, esboçada no cotidiano dos alunos da rede pública de ensino. Por conta de uma estrutura escolar, um tanto defasada; o rendimento da turma foi considerado insatisfatório. E na maior parte do tempo pouco produtivo. As aulas por sua vez, eram baseadas na busca do questionamento pela professora, em relação aos estudantes acerca dos conteúdos abordados em sala, porém, os métodos empregados por ela não eram aplicados de maneira eficaz.
A professora por ter uma postura firme e exigente diante da sua turma, em algumas ocasiões da aula, passava claramente dos limites inerentes a um profissional da área de educação. Provocando um certo desconforto emocional nos estudantes, e comprometendo quais quer esperança de uma boa relação com os alunos.
Em meio ao comportamento autoritário e intolerante da professora;  poucos eram os estudantes que conseguiam ter concentração com as atividades exigidas por ela. Pois em um ambiente dominado pelo medo, torna-se praticamente impossível, aplicar técnicas de aprendizado que possam surtir efeitos em uma turma de crianças que não tem idade superior a 11 anos.
Essa foi a realidade difícil cuja a qual me deparei no meu primeiro momento como observador em uma sala de aula de estudantes pertencentes a 5° série do ensino público feirense. Por conta disso, cheguei a conclusão de que tal desordem educacional, não tem como protagonista. Somente um professor sem competência, ou um estudante indisciplinado. E sim toda uma estrutura escolar, carente de mudanças profundas em suas funções pedagógicas com a intenção de assegurar a qualidade do ensino público.

Desordem total

Dia: 26/04/2010. Segunda observação.
Meu segundo dia observando foi desastroso. Como a aula é depois do intervalo, ao entrar na sala pude perceber o que havia ocorrido no intervalo: guerra de biscoito, isso mesmo, os alunos haviam feito guera com a merenda escolar. A sala tava um caos, o chão só tinha bolacha, ao perceber isso, a professora elegeu três alunos e os colocou para varrerem a sala, feita essa tarefa, inicia-se mais uma rodada de sermão, que começa com uma liçao de moral, falando das pessoas que passam fome no mundo, que fariam de tudo para ter aquela comida que foi jogada fora (o que foi muito conveniente), passa pela ideia de que os meninos são indisciplinados, que nao respeitam ninguem (o que me espanta na hora que ela me coloca no meio da discussao e diz: "nem a visita de uma pessoa como essa voces respeitam, imaginem o que ela vai falar".), e chega ao ponto primordial quando ela afirma que odeia dar aula a crianças de 5ª serie porque eles não tem respeito com ninguem, que prefere dar aula ao ensino medio que tem mais noção do que é uma sala de aula e que a respeita (o que, ao meu ver foi muito inconveniente).
A tarefa do dia foi atividade avaliativa em grupo e de consulta, essa consistia em questoes a respeito do tema explicado, mas ao lado das perguntas havia a pagina que se encontrava a resposta no livro, mais uma vez pude perceber a falta de atividades que façam os alunos pensarem e discernirem o assunto.
Enquanto os alunos faziam o exercicio fui conversar com a porfessora, perguntei a respeito do ensino, das dificuldades e limitacoes deste. Ela me falou da falta de participaçao da familia no processo de aprendizagem do aluno, da falta de recursos disponiveis para a qualificacao da escola, das limitaçoes das crianças em aprender, visto que a sua historia de vida muitas vezes é complexa.
Perguntei a ela a respeito do muro que faltava na escola, isso me intrigou muito, visto que a mesma possui "vizinhos" nao muito amigaveis, dai ela me contou que no dia anterior, a escola tinha sido invadida por marginais da redondeza que tinham o intuito de pegar um certo aluno e mata-lo, ali mesmo dentro da instituiçao, dai eu perguntei se eles (os professores) nao foram reclamar com a prefeitura, mas ela me disse que nao adianta, pq a escola tá assim porque esta fazendo "obras" que nunca acabam.
Por fim nosso último dialogo, no qual eu digo: "professora, estamos correndo risco de vida por estar aqui?", ela me responde: "corremos risco de vida por estar em qualquer lugar, e esse aqui é só mais um deles, de igual periculosidade."

Ah, antes que eu me esqueça, os alunos estão pensando que eu sou do juizado de menores, e que estou ali para vigia-los e ver como eles se comportam, visto que eles tem muito medo de serem "detidos" por causa do comportamento inadequado dentro da escola.

Portanto lanço algumas perguntas: porque o ensino publico brasileiro esta assim? O que fazer para melhora-lo? Como "educar" estas crianças sem a participaçao familiar?
Reflitam e comentem as respostas.

Primeira impressão!

Dia: 09/04/2010. Minha primeira observação.
Como dizem, a primeira impressão é a que fica! E realmente, foi a que me marcou.
A princípio os alunos estranharam a minha presença, na realidade não entenderam o que eu fazia lá, visto que eu já sou bem grandinha para estar na 5ª série!
A profª inicia a aula com um belo sermão a respeito da desordem e do barulho na sala, só ai foram mais de vinte minutos perdidos. A atividade do dia foi a aplicação de atividade em grupo, a mesma consistia em um texto, do qual os alunos deviam tirar as respostas para o questionário, pude perceber que os alunos não são "treinados" para pensar, as respostas são "dadas de bandeja", e ainda assim o tempo perdido para a resolução da mesma foi extamente uma hora e vinte minutos.
O vocabulário utilizado por alunos de faixa etária de 11-13 anos é absurdo, são palavrões que não me atrevo a reproduzir, isso ocorre no diálogo entre colegas.
Na hora do intervalo, estava sentada próximo a janela, quando sou avisada de que jogaram uma pedra no intuito de que a mesma atravessasse a grade de proteçao, e talvez, acertasse em mim.
Pude observar que a escola não possui muros, mas isso são cenas para o próximo capítulo...

Início do Estágio - primeiro dia.

Minhas observações começaram no dia 12 de Abril de 2010,numa turma de 7ª série, mas seis dias antes, quando fui à procura da escola fazer o requerimento, poucos foram os funcionários que me deram atenção e entre esses poucos - pra minha sorte- o de maior autoridade na instituição, o diretor.Percebi que não seria uma boa opção, mas a vantagem  na distância dessa escola para o meu bairro foi determinante para a escolha.Chega então o primeiro dia...
Mesmo desconfiado fui para obrigação! Já ouvi o ditado " o homem é de momento" e foi essa conclusão que tive por ver que o mau humor volta e meia aparece, pois ao entrar na escola fui recebido com muita gentileza, desde o porteiro, passando pela secretaria até a sala de aula, realmente o primeiro momento não passou de uma análise precipitada. A receptividade dos alunos, expressou antes de tudo respeito, numa turma em que a faixa etária é diversificada, essa noção foi bem transmitida. O espaço é improvisado, pois ali é na verdade uma sala de computação e o pedido para a construção de uma nova sala ainda não foi  atendido.
Com a experiência do magistério me sentir familiarizado, e sabendo da realidade das escolas públicas desse pais, não me veio grandes surpresas quanto as metodologias, recursos, e tolerância, tendo a impressão que voltei ao tempo e que pouca coisa mudou.



2° dia - aplicação de avaliação

No segundo dia 06/04/2010, tinhamos duas aulas seguidas. E havia sido esse o dia marcado pela professora para a aplicação da avaliação. Ela dividiu a aula em dois momentos:

1° momento =>  Revisão - correção de atividade passada no dia anterior.
                           OBS.: Poucos fizeram, sala desordenada.
2° momento => Avaliação - Aplicação da avaliação.
                           OBS.: Estudantes com dificuldades de leitura, compreensão.

Neste dia pude observar que a escola tem toda uma estrutura organizada e que os professores devem obedecer a algumas regras. A professora doscente havia marcado com os estudantes a aplicação da prova mas, pelo que pude observar, havia deixado para mandar fazer as copias das mesmas, no dia da aplicação, o que causou certo transtorno para a direção, que chamou a atenção da professora.
Mas o ponto crucial nesse dia de avaliação foi o fato de haverem estudantes que não conseguiam ler direito, o que é uma grande dificuldade em uma disciplina que é "leitura". Assim, um questionamento me inquietou: Como um professor diante de tal dificuldade pode resolver o problema sem deixar que o nível de ensino caia?

terça-feira, 4 de maio de 2010

INíCIO - Primeiro dia

No dia 06/04/2010, dei inicio ao estágio de observação em uma escola que vai da 5ª série à 8ª. Bem, como um calouro, minhas espectativas eram muito grandes e sabia que de certa forma me frustraria ao ver que a realidade da escola pública aqui em Feira de Santana é bem pior do que a realidade de Cruz das Almas, que é onde estudei, também em escola pública.
Mas para minha surpresa, percebi que essa realidade não era tão distante assim.
Logo no inicio mantive uma postura rígida, pois não queria que os estudantes, os quais são 5ª série, me vissem como um "coleguinha" que eles podem fazer o que quizessem. Mas logo percebi que eles não fariam isso caso eu não deixasse.
Apesar de ser um estágio  de observação percebo que faz-se necessário um entrosamentos entre estagiário-estudante, para que dessa forma troquemos esperiencias e assim possa entender o cotidiano daqueles que um dia poderão estar em meu lugar.
Nesse dia a professora doscente, fez uma revisão para uma avaliação que aconteceria noutra aula. O conteúdo dado em sala de aula era referente à teoria da história, as questoes que envolvem a cientificidade historica e qual o papel do historiador. A professora aplicou um questionário a fim de responder as  possiveis duvidas dos estudantes.
Em analise nesta sala, pus-me a refletir sobre o papel da pesquisa na sala de aula. Isso devido ao fato da professora haver pedido aos estudantes que realizassem um trabalho de "pesquisa" e um deles ter feito uma cópia da internet, e para piorar a situação nem sabia o que contia na suposta "pesquisa" que ele havia feito.
Percebi assim, que o fato de apenas ter pedido o trabalho não faria com que os estudantes soubessem o que fazer, ela deveria orientálos em como fazer tal trabalho e qual seria o fundamento daquilo.
E assim foi o meu primeiro dia de estágio de observação.